quarta-feira, 30 de março de 2011

::: ARTIGO - Miséria emancipada

Pequenos municípios no Paraná estão desaparecendo. Na região de Campo Mourão, como exemplo, de 24 municípios, apenas quatro apresenta crescimento no PIB (Produto Interno Bruto).
O processo de desaparecimento dos municípios é uma trajetória histórica da economia que em seu trânsito agrário para agroindustrial promove o êxodo rural. A decadência da economia cafeeira nos anos de 1970 abriu espaço para um novo modelo de produção agrícola, o deslocamento demográfico segue este modelo.
Hoje, nos orgulhamos da sofisticada tecnologia do agronegócio, que nada deixa a desejar com a tecnologia de ponta existe em produtos como celulares ou televisores de plasma. Nossa soja tem tecnologia produzida em laboratórios com o mesmo diferencial que um centro de desenvolvimento de Tecnologia da Informação. Se o celular só falta falar, a soja é personalizada com o clima e solo da mesma forma que o cliente em uma agência bancária virtual.
Mas tudo tem seu preço. O êxodo rural acompanhou o desenvolvimento do agronegócio. Deslocou uma grande massa de populacional do campo para a cidade e dos pequenos municípios para os de maior porte.
Em entrevista a CBN Maringá, a economista, doutora em Meio Ambiente e Planejamento Urbano, Amália Godoy, afirmou que há pesquisas que mostram que dos 399 municípios do Paraná, apenas 44 tiveram um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). Coincidentemente os que fazem parte do Anel de Integração Rodoviário criado pelo governo do Paraná na década de 1990, afirma a doutora.
Neste final de semana, a senadora Gleisi Hoffmann e os deputados federais Zeca Dirceu e Edmar Arruda ouviram as reivindicações da Amusep (Associação dos Municípios do Setentrião Paranaense) pedido recursos para os pequenos municípios. Os prefeitos temem os cortes no orçamento anunciados pelo Governo Federal. Economia para conter os gastos públicos do governo anterior.
Mas o dilema na luta pelas migalhas sempre nos reportar a história da miséria. O temor dos municípios hoje já estava desenhado nos últimos 20 anos. A construção de dois “paranás”, um que se integra a economia mundial e absorve investimentos respondendo com lucro e outro que fica a margem e pouco ou dificilmente se integra ao mercado nacional e internacional.
As maiorias dos jovens que habitam os pequenos municípios procuram outros centros para ingressaram com mais perspectiva no mercado de trabalho. Para os pequenos municípios restam as crianças e o idosos, os dois em idade improdutiva e com dependência dos programas assistenciais do poder público.
Por isso, a ilusão da pequena cidade como um paraíso bucólico repousa apenas nas nossas fantasias. Em sua grande maioria, os pequenos municípios do Paraná caminham para a degradação. Enquanto os grandes centros abrigam periferias conurbadas onde cresce o desprezo, nosso Estado, ao longo da história, emancipa a miséria para se afastar do problema.

Gilson Aguiar - CBN/GzMgá

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